segunda-feira, 7 de março de 2016

Traidora

"Quando ele me bate, eu tento lembrar de alguma canção que minha mãe cantava pra mim quando era criança. Assim, eu fujo um pouco dessa realidade."

 Já era tarde, madrugada, eu estava no sofá esperando ele chegar, preocupada, pois não atendia o celular. Quando, de repente, a porta da sala bateu, esmurrando de força. Era ele, bêbado, enfurecido, transtornado com suas fantasias enciumadas. 
Entrou segurando pelo meu pescoço:
 -Sua vadia, o que te dou na cama não te basta? Tinha que "dar" pro meu melhor amigo? 
-Você tem tantos amigos... 
-O que você quer dizer com isso? Você deu pra todos eles? Sua vadia! Completando as frases com tapas na minha cara...
 -Não, amor, quis dizer que não os conheço! Não fiz nada! Você está bêbado e fantasiando! Vá tomar um banho... 
-Vou te matar , sua puta! Ele me disse que te comeu!
 Aqueles chutes não doíam tanto quanto o abuso que ele cometia enquanto me batia, arrancando minha roupa, me sufocando e me estuprando no chão. Eu queria morrer ali, mas ele era muito mal. Ele só me batia a ponto de me machucar muito, mas não pra me matar. 
Quando tudo terminou, ele saiu pra beber de novo e eu fiquei no chão, chorando , pensando em alguma canção de ninar...
Para que aquele pesadelo sumisse da minha memória.
 Clara Brito 

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