Meus pés estão tão cansados.
Meus pés parecem raízes presas ao chão.
Sinto um peso tão grande quando vou caminhar.
Sinto um peso em minhas costas, como se alguém estivesse sobre ela.
Me empurrando pra baixo, machucando minha coluna, me impedindo de andar.
Tenho me sentido tão cansada e ao mesmo tempo tão triste, ou melhor..sem emoção.
Nada me faz sorrir e nada me faz chorar.
Tenho enfrentado uma realidade tão confusa, onde me cobro de coisas que nem acredito que vou conseguir realizar... e me cobro tanto a ponto de ficar tão frustrada e tão insatisfeita comigo mesma que não consigo mais fazer nada, só observar meu mundo caindo..é só isso que tenho feito..
observado e sentido meus prédios internos se desmoronarem. Tudo caindo...
E esse peso que parece mais um corpo sobre mim ... o meu corpo, morto, um cadáver sobre minhas costas. Corpo que eu matei com desesperanças, com ilusões, com batalhas perdidas, com armas...
Minhas mãos sangram diante do espelho... quem matei? Eu mesmo!
Meus pés enraizados, meu corpo imobilizado, meus pensamentos entorpecidos, meu coração frio, minha mente enjaulada... presa nesse redemoinho de emoções que não sinto, só vejo... não me permito sentir nada...
eu nunca me dei esse direito. Não vai ser agora irei merecer isso...
A gente fica forte num dia , sugando o resto da força dos outros, aí no final da semana não sobre mais nada, só cama... só teto...nada mais.
Clara Britto
terça-feira, 29 de maio de 2018
sexta-feira, 25 de maio de 2018
Ponto de Partida
Onde se inicia o ponto de partida?
Muita coisa pra dizer...
Uma vida devedora de promessas, de respostas, mas que eu também preciso aprender como fazer.
E o que seria esse ponto de partida?
Uma iniciativa para seguir as regras e me manter calada, omissa,"curada" aos olhos dos que me olham , mas não me vêem.
Mas essa sede insaciável que está me matando aos poucos, é um veneno que não consigo parar de beber.
Essa morte lenta e dolorosa é como um câncer que vai me corroendo a cada gole, a cada respirar.
E partir a partir desse ponto, pra mim ,vai mais além do que uma iniciativa. É como morrer pra nascer de novo, e eu tenho medo da morte, eu tenho medo de partir desse ponto. O ponto do sofrer pra sobreviver.
Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece mais as desculpas passam a ser culpa, verdades, feridas... que demoram pra cicatrizar.
A ilusão se torna perigosa quando vira realidade.
E como partir do ponto da ilusão pra chegar até a realidade? Enfrentando o medo, os traumas, os fantasmas?...Se fosse fácil ninguém precisaria morrer pela humanidade.
Hipocrisia da minha parte dizer que o preço não foi pago, mas a nossa divida é grande demais e a carne do homem tem vicio de sofrer, mas só pra mostrar no final quem consegue ser mais forte.
Nem a dor a gente sabe dividir.. até porque se fizer isso você se torna o mais fraco. Ninguém gosta de ser fraco.
Talvez essa sede que sinto seja a necessidade de engolir os fatos, fatos que preciso aceitar para eu tomar uma iniciativa, mas a dose é muito grande e eu já to cansada de me embriagar com fatos...
Os fatos tem um gosto muito amargo.
Não da pra partir de ponto nenhum com esse cansaço.
E se eu fizer... se eu inciar essa partida...
Onde é que começa?
E onde é que ela termina?
Clara Brito
Muita coisa pra dizer...
Uma vida devedora de promessas, de respostas, mas que eu também preciso aprender como fazer.
E o que seria esse ponto de partida?
Uma iniciativa para seguir as regras e me manter calada, omissa,"curada" aos olhos dos que me olham , mas não me vêem.
Mas essa sede insaciável que está me matando aos poucos, é um veneno que não consigo parar de beber.
Essa morte lenta e dolorosa é como um câncer que vai me corroendo a cada gole, a cada respirar.
E partir a partir desse ponto, pra mim ,vai mais além do que uma iniciativa. É como morrer pra nascer de novo, e eu tenho medo da morte, eu tenho medo de partir desse ponto. O ponto do sofrer pra sobreviver.
Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece mais as desculpas passam a ser culpa, verdades, feridas... que demoram pra cicatrizar.
A ilusão se torna perigosa quando vira realidade.
E como partir do ponto da ilusão pra chegar até a realidade? Enfrentando o medo, os traumas, os fantasmas?...Se fosse fácil ninguém precisaria morrer pela humanidade.
Hipocrisia da minha parte dizer que o preço não foi pago, mas a nossa divida é grande demais e a carne do homem tem vicio de sofrer, mas só pra mostrar no final quem consegue ser mais forte.
Nem a dor a gente sabe dividir.. até porque se fizer isso você se torna o mais fraco. Ninguém gosta de ser fraco.
Talvez essa sede que sinto seja a necessidade de engolir os fatos, fatos que preciso aceitar para eu tomar uma iniciativa, mas a dose é muito grande e eu já to cansada de me embriagar com fatos...
Os fatos tem um gosto muito amargo.
Não da pra partir de ponto nenhum com esse cansaço.
E se eu fizer... se eu inciar essa partida...
Onde é que começa?
E onde é que ela termina?
Clara Brito
quinta-feira, 24 de maio de 2018
Pode entrar
Talvez essa seja a solução...
Eu tenho me fechado para o mundo, engolido minhas palavras. Tenho medo de falar , de assustar, afastar e de perder...
Mas também quando não falo , faço... e depois que faço assusto, afasto e perco.
Bem vinda ,Selva!
Selvageria do coração, raiva, morte de sentimentos bons, o medo , os traumas, a repressão!
Seja bem vinda ,Selva!
Libere seus animais aqui dentro, deixe fluir, deixem rugir bem alto!
Arranque, rasgue, mate, transforme! Seja você, Selvagem! Monstruosa verdade!
Bem vindo, Bicho!
Dê o seu melhor! Não deixe ninguém invadir seu espaço! Pegar o seu lugar! Seja valente! Seja medonho, seja imprudente! Seja Selvagem!Não deixe os outros atingirem você, desvie das armas, mas não fuja delas! As enfrente! Não seja covarde, Bicho! Seja forte! Seja bravo! Seja sábio!
Bem vinda, dor!
Já entrou sem bater mesmo!chegou dilacerando meus animais, transtornando meus pensamentos, corroendo meus sentimentos, devastando minhas plantações, minhas flores, meu jardim, minhas árvores! Transformou meus dias quentes em constantes noites frias, em lagrimas repetitivas... transformou tudo meu em você. Em dor! Então seja bem vinda dessa vez..
Pode entrar...
Mas limpe os pés no tapete, acabei de varrer a sala de jantar!
Clara Brito
Eu tenho me fechado para o mundo, engolido minhas palavras. Tenho medo de falar , de assustar, afastar e de perder...
Mas também quando não falo , faço... e depois que faço assusto, afasto e perco.
Bem vinda ,Selva!
Selvageria do coração, raiva, morte de sentimentos bons, o medo , os traumas, a repressão!
Seja bem vinda ,Selva!
Libere seus animais aqui dentro, deixe fluir, deixem rugir bem alto!
Arranque, rasgue, mate, transforme! Seja você, Selvagem! Monstruosa verdade!
Bem vindo, Bicho!
Dê o seu melhor! Não deixe ninguém invadir seu espaço! Pegar o seu lugar! Seja valente! Seja medonho, seja imprudente! Seja Selvagem!Não deixe os outros atingirem você, desvie das armas, mas não fuja delas! As enfrente! Não seja covarde, Bicho! Seja forte! Seja bravo! Seja sábio!
Bem vinda, dor!
Já entrou sem bater mesmo!chegou dilacerando meus animais, transtornando meus pensamentos, corroendo meus sentimentos, devastando minhas plantações, minhas flores, meu jardim, minhas árvores! Transformou meus dias quentes em constantes noites frias, em lagrimas repetitivas... transformou tudo meu em você. Em dor! Então seja bem vinda dessa vez..
Pode entrar...
Mas limpe os pés no tapete, acabei de varrer a sala de jantar!
Clara Brito
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