terça-feira, 12 de julho de 2016

Ela e as cores

Tudo parecia grande demais para nós.
Aquele quarto parecia um infinito...
O seu respirar próximo dos meus lábios  formava um som, uma melodia que me trazia paz.
E todo esse sentimento se resumia em curiosidade e tesão.
A delicadeza de suas mãos deslizava como água em minha pele, que se arrepiava com um simples tocar de seus dedos.
- Quer uma taça de vinho?
Eu ,na verdade, queria uma taça transbordando ela.
Eu queria me embriagar com tudo que formasse ela.
- Um vinho seria bom.
Ela andava como se estivesse dançando lentamente em minha direção.
Ela tocava meu rosto, meu corpo e meus seios com tanta delicadeza.
Então... ela me despiu...ela se despiu.
E me fez dela quando me beijou intensamente!
E enquanto me beijava me envolvia com seu corpo nu, tão lindo, tão suave e sensível.
Aquele quarto enorme , agora, parecia pequeno demais pra mim...
Eu queria explorar tudo dali. Eu queria explorar tudo dela!
Tudo que formava aquela flor, todas aquelas cores juntas formando, no fim, uma só cor.
Formando eu... junto dela!
Foi quando o silêncio tomou conta do ambiente e meu respirar tornaram-se  gemidos...
Eu pedia pra ela parar, mas eu não queria parar!
Eu queria chegar a mais brilhosa e forte cor!
Ela sentia meu gosto, meu vinho, meu líquido.
E eu me embriagava com seu amor! Com aquele desejo prazeroso por mim...
Eu queria ser mais que uma cor em suas telas.
Eu queria ser uma pintura única feita pelas mãos dela!
Eu queria ser ela!
Eu me derramei em seu corpo, tornando-a  minha
e me desenhando nela...

Clara Brito