da praça da cidade com seu material. Ele ficava ali na parte da manhã pintando paisagens, na parte da tarde pintava crianças e a noite e se levantava e ficava debruçado no encosto da ponte olhando o lago, olhando o luar, olhando seus quadros, olhando a rua, esperando ela voltar.
Todo dia 28 era sagrado, mas ela nunca mais voltara. Agora são apenas lembranças, agora são apenas pinturas, são apenas lágrimas numa tela esquecida.
Com o passar do tempo outro mês chegara e o dia 28 também e lá estava ele pintado crianças, mas estava sério, quieto, entristecido , cansado dos dias, das lembranças, das pinturas. Foi quando ele se irritou pegou seu quadro e o jogou no lago, sem se conter passou a chorar, chorar as lembranças de um amor perdido, a solidão, as pinturas vazias, a vida sem emoção, mas enquanto chorava ouviu uma doce voz lhe falar:
-" Oi, Dá licença.. moço,desculpa! O senhor poderia me pintar?"
Ela era linda! Já parecia uma pintura só de olhar! Foi o que ele pensou quando a olhou com seus olhos lacrimejantes.
Pegou seu pincel mais caro, uma boa tela, a sentou próxima ao pôr do sol e antes de começar ficou um bom tempo a admirando.... pintando em sua memória a imagem de seu novo amor.
Clara Brito

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