Um sinfonia de solidão.
Parece que me perco nas profundezas das nuvens ,
mergulhando nesse oceano de riscos umedecidos no ar.
Notas curtas, frases longas, vento forte , desencadeante escurecer...Aguardo a chuva cair sobre mim, mas ela não atravessa vidro,
Ela não atravessa o corpo,
Então como lavar a alma?
Por quê ser abstrata
diante de algo certo querendo faze-lo atravessar minhas emoções e cognições?
Se é apenas água,então, por quê fazer da chuva uma metáfora depressiva?
Por quê um raciocínio lógico só se acerta após as lágrimas?
É preciso chorar pra se encontrar? Fazer chover dentro de mim?
Essa solidão que a chuva me traz não parece ser algo do presente, mas é uma sensação recente.
É a sensação de estar me perdendo nesse mar que cai do céu, me afogando em lembranças lacrimosas.
Vejo que mesmo sem metáfora a chuva se torna poesia
só pelo simples fato de lembrar lágrimas.
Ou são os anjos tentando me mostrar que sempre haverá cicatrizes
para nos lembrar que não é pra sempre que seremos felizes.
Clara Brito
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