terça-feira, 11 de junho de 2013

Delirium

Talvez essas portas ao redor se fechem quando a ventania aumentar.
Talvez meus dentes parem de ranger com os saltos que andam sob meu teto.
Vejo uma saída pela janela, mas a queda parece ser grande.
Me despedaço no chão da ilusão de meus pensamentos.
Pessoas diferentes falam sobre seus passados fantasmagóricos.
Pessoas tristes que falam de suas vidas como se só restasse mágoa
por causa de seus erros cometidos no passado.
Sentadas ali com suas manias, seus cigarros, seus delírios, suas lágrimas,
seus vícios e desesperos.
Procurando em outras pessoas outras histórias um consolo para seus contos obscuros.
Realidades que parecem filmes de terror!
Chocada com toda a aceleração pra uma recuperação intensa vejo meus nervos saltarem
em meu pescoço de tanta ansiedade!
Ao meu redor essas pessoas estranhas por um momento se tornam apenas uma : EU!
Somos tão diferentes, mas com os mesmos delírios, espasmos e dores.
Vários passados tristes escritos em uma linha só.
Como cabe tanta mágoa em uma só palavra?
Como cabe tanta história em uma só carreira?
Como cabe tanta gente dentro de uma só sala?
Portas trancadas, janelas meio abertas e um pequeno soprar
do vento espalha todo o pó ali presente no momento,
Levando toda mágoa,toda dor guardada, as palavras por mais um dia
se vão....
deixando somente os corpos que sobrou do vicio
que um dia passou a fazer parte da minha solidão.

Clara Brito.


"Só por hoje..."