Meus olhos embaçados sentem o peso das lagrimas.
Ó quão doce fica a ferida quando a solidão libera o seu sal e a amargura
se expande em esplendor dentro de mim como sol durante um final de inverno.
Eu vejo através da noite manchas no ar que me lembram seu rosto.
Eu vejo através da noite estrelas mortas que eu tentei ressuscitar.
Eu ouço vozes de almas que deveriam ir pra casa,
mas tem medo de não encontrar nada lá.
Elas se parecem comigo, não me assusta sua aparência mas sim a sua solidão.
Será que mesmo depois de morta também me sentirei só?
Uma reflexão sem resposta.
Eu continuo a namorar a noite e observar os seus seguidores , os seus servos.
Pois ela nunca pertenceu a ninguém, deve ser por isso que é tão perversa.
Deve ser por isso que a escuridão faz doer tanto.
Ao apagar a luz eu vejo meus erros e meus medos me chamando para dentro deles, com uma voz baixinha que me confunde e me faz aceita-los em mim, mesmo sabendo que eles não são o que eu preciso pra mim.
Eu ouço a voz de alguém...
mas não vejo ninguém, porque não enxergo o que preciso.
Meus olhos só vêem o que meu medo quer me mostrar...
as lágrimas que nenhuma mão pode secar.
Clara Brito
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